Hospedaria, na Mooca

Aberto há um pouco menos de um ano na Mooca, o Hospedaria poderia ser erroneamente classificado como um restaurante italiano. Mas essa lógica vai por terra quando você entra no local e dá uma olhada em seu cardápio: utilizando um prédio do velho bairro como espaço, o Hospedaria traz releituras de pratos típicos de imigrantes. Sabe quando você abre a geladeira em casa durante o fim de semana, e precisa se virar com o que tem? Mais ou menos, essa é a ideia, mas com um pouco mais de requinte. A dúvida na verdade é entender se a proposta funciona, e claro, se a comida é boa. Quer saber mais?

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Desde que descobri a Hospedaria tinha vontade de conhecer, primeiro porque é na Moóca, o bairro amado por todos os paulistas. Segundo porque tinha lido sobre o lugar e achei super interessante. O bairro é um dos pioneiros na cidade e por isso, existiam muitas hospedarias na região, dai vem o nome, dos nosso imigrantes.

Não foi só o nosso nome ou sotaque que os imigrantes deixaram, eles fora fundamentais na nossa culinária. A proposta da casa é essa, unir o que eles nos trouxeram de melhor, com os nosso pratos tradicionais. O espaço tem um ambiente rústico de um antigo balcão industrial , os detalhes da casa são realmente muito interessante e te atraem por todos os cantos.

Quando fomos visitar, a casa estava cheia, por isso acabamos sentando no balcão. Em partes foi super legal, pois vimos cada detalhe na cozinha e no bar. Porém o banco não é dos mais confortáveis, por isso cansa um pouco.

O atendimento é bastante confuso, os poucos garçons não conseguem dar conta de todas as mesas no salão e isso é com certeza o ponto fraco da casa. Demoramos algum tempo pra conseguir pedir, por isso conseguimos escolher bem o que queríamos no cardápio. De entrada pedimos a Linguiça Imigrante, linguica da casa que acompanhava picles, cebola, mostarda e um pão de milho. A entrada é bem gostosa, porém não vale os 30 e poucos reais investidos, principalmente pelo tamanho da entrada que é bem pequeno.

Os pratos principais também são poucos, mas boa parte deles interessante. Eu pedi o Porco Imigrante depois de uma longa dúvida entre o que pedir. Nele vinha, carne de porco, purê de abóbora, farofa e uma saladinha. O prato é muito bem apresentado e tem um sabor muito bom, a carne é macia e saborosa. A salada e a farofa combinam perfeitamente com o prato, já o purê, achei sem graça e perdido. O corte da carne oferecido é muito suculento, porém vem tanto osso que metade é disperdicçado, muito triste.

Para finalizar pedimos um mousse de chocolate que foi o ponto mais alto da visita, é definitivamente um dos melhores que já comi. A casa tem pontos muito altos e baixos, mas para quem gosta de conhecer um pouco mais da nossas tradições, vale a visita.

Já tinha passado algumas vezes pela frente do Hospedaria, mas juro que nunca lembraria de visitar o restaurante se não fosse a Na pra sugerir. Dá pra dizer que o lugar é um bom achado na Mooca, bairro que não tem tantas opções quando você compara com os centros gastronômicos de São Paulo, mas com algumas ressalvas.

O lugar é bem bonito e bastante charmoso. Um de tantos galpões velhos de fábricas que ficavam no bairro, transformado em um aconchegante restaurante moderninho.

Se você não se importa em ficar na fila, ou sentar no balcão, já vale um aviso. São poucas mesas, então você vai acabar esperando um pouco. Uma reflexão vale aqui, já que o restaurante poderia optar por mesas menores, dando mais fluxo e mobilidade ao salão. Assim, pelo menos, você não tem que ver um casal sentado em uma mesa pra seis pessoas, enquanto outras quatro esperam por um lugar ao sol.

Vale também uma menção ao atendimento. O pessoal é simpático, não tem como se negar. Mas um pouco confuso e atrapalhado. Coisas pequenas, como demorar pra tirar o pedido, ou trocar os pratos, mas nada que atrapalhe realmente um almoço.

E falando em almoço, fomos fazer nossa visita durante um almoço de domingo. O cardápio não é muito extenso, realmente. Existe uma meia dúzia de pratos, bem diferente entre eles, que não vai te ajudar na hora da decidir. Mas ajuda se você já tiver alguma ideia, ou alguma vontade específica: massa ou salada, por exemplo.

Claro, eu fui na massa. O Bolonhesa (R$ 47) é a única opção disponível no cardápio, então meu problema não foi tão grande. Descrito como uma massa fresca feita na casa, com molho de tomate de carne bovina e de porco e uns generosos pedaços de queijo fonduta, parece uma combinação ótima no papel, e embora seja gostosa mesmo, alguns pontos precisam ser esclarecidos, afinal…

A massa fresca feita na casa, aparentemente, não é feita na casa, mas na Di Cunto, do outro lado da rua. Ela pode ser fresca, pode ser boa, mas não é da casa. Benefícios de ter de sentar no balcão. E ela provavelmente é fresca. Mas como vai pro forno, isso meio que vai pro vinagre.

Até por que, veja bem, qual a necessidade de uma massa fresca se você vai jogar ela no forno? Não estou dizendo que o resultado é ruim. É um macarrão bolonhesa honesto, com um toque diferente por conta da fonduta, mas só isso. E jogar o macarrão no forno, apenas não.

Ah, pedimos antes uma entrada pra aguardar os pratos principais. Um prato com duas línguiças, geleia de cebola, picles, mostarda e pão tostado, a Línguiça Imigrante (R$ 36), não é a melhor opção pra compartilhar com alguém. São literalmente duas pequenas linguiças com alguns poucos acompanhamentos.

No geral, a impressão que fica é um restaurante bonito e descolado, uma ideia de desconstruir um conceito, mas que acaba pecando em algumas coisas.


Hospedaria – Rua Borges de Figueiredo, 82 – Mooca; Abre: terça a domingo; Contato: 2291-5629; Transporte: ônibus, táxi, trem; Pagamento: débito, crédito; Faixa de preços: $$.
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