Lupulagem e o que isso muda na minha cerveja?

Água, malte e lúpulo. Para muitos, e claramente… Acho que já usei esse começo. Vamos de novo. Lúpulo: um ingrediente que para mim quanto mais presente melhor (meu gosto atual, que muda bastante).

Sim! Mais um texto sobre lúpulo e mais um texto sobre processos de produção do nosso elixir da vida. Aqui no Tem uma Ale eu já falei muito sobre o lúpulo dos rótulos que eu tomei, já falei sobre a importância do lúpulo na cerveja, já falei da freira Hildegard Von Bingen, das formas de uso do lúpulo e etc. Ainda tem muito mais para falar sobre essa florzinha maravilhosa, e foi essa a minha motivação para esse texto.

O texto, como vocês já viram no título, é sobre a lupulagem, uma das etapas do processo de produção da cerveja.

A adição do lúpulo ao mosto (ou lupulagem), ocorre durante a fervura do líquido recém filtrado. Essa fervura normalmente dura 60 minutos, mas não é um tempo imutável. Por exemplo, o lúpulo só traz o resultado esperado em fervuras de 45 a 90 minutos, ou seja, esse é o tempo que o lúpulo tem para trabalhar no sabor da sua cerveja. Menos do que isso o tempo é insuficiente e mais do que isso o mosto vai gradualmente ficando mais aguado. Por quê? Vocês me perguntam.

Entre muitos outros fatores, existem dois que mais sobressaem e que são os mais conhecidos: os óleos essenciais e os alfa-ácidos. Numa definição rude, os óleos essenciais trazem sabor e aroma de lúpulo (variando bastante de acordo com o tipo do lúpulo) e os alfa-ácidos trazem o amargor. Quanto mais tempo fervidos os óleos essenciais mais evaporam e, consequentemente, o sabor e aroma acaba esvaindo. Ao contrário dos alfa-ácidos, que precisam de um tempo para trabalhar no amargor da cerveja. É por esse motivo que durante os 60 minutos são vários os momentos em que se insere o lúpulo, quanto antes inserido, mais amargo, quanto mais tarde, mais aromas e mais sabores.

Aí entram algumas variações do processo de lupulagem que são bastante interessantes. São muitos, mas eu escolhi os dois mais conhecidos: o First Wort Hopping e o Dry Hopping. O First Wort é quando você insere uma quantidade de lúpulos antes da fervura. Isso permite aos óleos essenciais meio que se misturar mais ao mosto. Seria como vestir um alemão de chinês antes de ele ir morar na China. Esse processo traz mais homogeneidade tanto nos sabores e aromas quanto no amargor da cerveja, deixa um “quê” de equilíbrio.

Já o Dry Hopping, mais conhecido e mais consolidado, é o contrário. É quando se insere o lúpulo após a fervura (durante a maturação). Esse processo dá ainda mais potência aos sabores e aromas de lúpulo, sendo muito recomendado em alguns estilos mais complexos.

O processo é mais complexo do que isso, mas esse meu resumo dá uma boa ideia ainda mais específica sobre o lúpulo na cerveja e é muito bom ter em mente esse tipo de informação.

Agora, para não parecer que eu fiz esse texto sem companhia, tá aqui a cerveja de hoje. A London Pride, da Fuller’s. E olha, pode ter orgulho mesmo. É uma red ale clássica inglesa deliciosa, que me caiu muito bem, servida no meu copo de pint, na temperatura certa. Acompanhante mais do que ideal para se falar de lúpulo, já que usa o clássico lúpulo fuggles.


Tem uma Ale na minha Weiss é escrita por Otavio Corsini, colunista do Comida pra Casal, que fala sobre aquilo que todo mundo gosta: cerveja. Seja importada, nacional, artesanal ou daquelas que você acha no supermercado mesmo, todas sempre tem sua vez por aqui.

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