Versão brasileira: Wendy’s

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Como quem não quer nada, bem na surdina, o Wendy’s anunciou e se instalou no Brasil. Quer dizer, em São Paulo, afinal, existe apenas uma unidade da quarta maior rede de fast-food do mundo por aqui. Mas ainda assim, é um belo tapa na cara do pessoal por trás do Taco Bell, por exemplo. Entretanto, a intenção não é fazer uma comparação sobre o plano de abertura das duas redes, mas sim fazer uma análise sobre o restaurante fundado por Dave Thomas.

E que fique claro, não pretendo falar especificadamente sobre a comida da lanchonete nesse artigo. Para isso teremos uma oportunidade muito em breve, afinal, estive lá com a Na pra conhecer o que o Wendy’s brasileiro tem de melhor. E de pior.

A casa tem pouco mais de uma semana em operação, então seria injusto reclamar do atendimento. Mesmo com alguns pontos que precisam urgentemente de mais atenção, no geral todo o pessoal foi bastante simpático e pronto para resolver eventuais probleminhas. Tive uma questão com o milk-shake que pedi, que foi simplesmente esquecido na hora de receber meu pedido. Ainda assim, não foi um real problema. Situação exposta e prontamente resolvida. Nada que algumas semanas sirvam para colocar tudo nos eixos.

E falando em atendimento, vale destacar um dos pontos mais interessantes da casa: seu sistema de pedidos. Na hora que você entra logo se depara com totens de atendimento, muito mais legais que os velhos caixas de fast-food. Nunca tinha visto algo semelhante no Brasil, embora pareça bastante, por exemplo, com o estilo adotado nos parques da Disney. Neste quesito, ponto para o Wendy’s.

Já que estamos contando os pontos, o próprio ponto escolhido foi bastante estratégico. Na JK, bem perto da Faria Lima. É o tipo de lugar que você não consegue não olhar quando está passando, seja de carro, ônibus, táxi ou andando. Poderia ser em um lugar próximo do metrô? Poderia, mas ai seria perfeito demais, e perfeito é algo que o Wendy’s brasileiro não é. Nem de perto.

Aliás, não sendo tão crítico, é necessário espremer os olhos pra enxergar na versão brasileira o Wendy’s original. A sensação, após a primeira visita, é que a marca foi escolhida apenas pela relação com o hambúrguer, não levando em conta nenhuma das outras características da tradicional lanchonete americana.

Comecemos pela louça utilizada para servir os pedidos. Não temos no Wendy’s brasileiro caixinhas de papel, ou embrulhos para guardar os lanches. Tudo é servido em bonita porcelana quadrada, em alguns casos acompanhado de talher. É bonito? Sem dúvida. Mas então qual o problema?

A falta de personalidade talvez seja o maior deles. O Wendy’s, reconhecidamente uma rede famosa de fast-food, aqui no Brasil parece não se encontrar. A lanchonete fica no meio termo entre fast-food e hamburgueria gourmet. Todavia, acaba sendo uma hamburgueria gourmet, com estrutura de uma, e preços e sabor de fast-food. E adotar um estilo, ou outro, não é uma questão apenas de tirar as bandejas do estabelecimento, ou fazer o pessoal te servir na mesa. Vai um pouco além.

Apenas na ponta do lápis, vamos fazer uma análise rápida. Contei, mais ou menos, uma dúzia de funcionários dentro da cozinha. E outros bons quinze rostos divididos entre anotar os pedidos, entregar os pedidos e outras funções. Para um restaurante que cobra, em média, R$ 30 por combo de sanduíche, batata e bebida, parece ser um custo considerável. Ainda sem base oficial alguma, só na especulação, vamos pensar também em todo o custo para manutenção, seja na higienização das centenas de porcelanas e talhares, seja em outros adornos típicos de uma hamburgueria gourmet.

Isso também gera um custo alto, que demanda de um salão cheio durante os sete dias da semana pra pagar essa conta. Nestes primeiros meses essa é uma missão tranquila, basta chegar perto para ver a fila atrás de uma mesa. Entretanto, temos uma outra questão que merece análise: a comida.
Não quero entrar muito no mérito do sabor, mas vale dizer que temos aqui a boa e velha comida de fast-food, em todos os seus sentidos. E se as pessoas gostam de uma novidade nos primeiros meses, talvez elas não se sintam tão confortáveis em investir um dinheiro para ter um retorno abaixo do esperado. E nessa história, todo aquele investimento alto pra deixar o salão bonito, cheio de gente te atendendo e levando sua comida na mesa, além de servir o sanduíche um prato de porcelana, pode parecer um excesso.

Quando o Wendy’s foi anunciado no Brasil, por alguns momentos imaginei que teríamos um real concorrente à dupla McDonald’s e Burger King, mas, aparentemente, estava errado. O Wendy’s brasileiro não tem intenção alguma de ser visto como um típico fast-food. A completa ausência do consolidado ‘dollar menu’, que já se faz presente nos dois concorrentes até no Brasil, é outra demonstração disso. Porém, para o sucesso perdurar é preciso sempre alinhar as expectativas com seu público. E talvez uma hamburgueria gourmetizada com lanches de fast-food não fosse o melhor dos mundos para quem esperava pela rede do Mr. Thomas aqui no Brasil.

Nota do editor: Tentamos conversar, nos últimos 15 dias, com o pessoal responsável por trazer o Wendy's ao Brasil para tirar algumas dúvidas, e conversar sobre o modelo adotado no país. Até o fechamento desta coluna o único retorno oficial foi de que as entrevistas começarão a ser concedidas em breve.

Fast&Food é escrita por Raphael Diegues, editor do Comida pra Casal, que aborda novidades e dúvidas dos consumidores a respeito das redes de comida rápida espalhadas pela cidade.

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2 comentários sobre “Versão brasileira: Wendy’s

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