O grande lúpulo

É, voltei de novo mais uma vez. Esse novo intervalo me confunde a cabeça, é um monte de cerveja para falar, vários textos que eu poderia ter escrito… Isso quando eu não esqueço completamente de escrever (rs).

Mas também tem seu lado bom: eu tenho mais tempo para pensar no que escrever e qual cerveja tomar. E é engraçado porque o tema de hoje não precisaria de nem cinco minutos para ser definido, de tão óbvio que é. Na verdade não sei como não escrevi sobre antes.

Hoje é dia de lúpulo, meu caros amigos! Aquela florzinha que só cresce em clima temperado (as pesquisas para se produzir no Brasil estão ainda em fase de crescimento e são focadas no sul do país), que dá grande parte da graça da cerveja e é da família da maconha (canabidaes)!

Comecemos do começo. A cerveja é produzida há mais de 6000 anos atrás e nunca havia sido adicionado à mistura o lúpulo. Ninguém sabia o que era lúpulo. E o que isso gerava? Um líquido bem mais leve, aguado, “insosso” e que durava pouco tempo. Era literalmente um pão líquido (e pão não dura muito, não é mesmo?). Aí, em 1150, na alemanha, a freira Hildegard Von Bingen, que supostamente usava o lúpulo como medicamento (devia fazer algum tipo de chá de boldo), decidiu colocar aquela flor na cerveja. E o resultado não poderia ser melhor: o líquido agora tinha muito mais aromas, sabores, amargor e durava bem mais tempo. Ou seja, o lúpulo não ajuda só nos sabores e aromas da cerveja, ele tem características bactericidas (que ajudam a cerveja a não oxidar tão fácil) e de conservante natural, que é bom até mesmo para quem bebe. Santo remédio! Ele só não tem os mesmos loucos efeitos da sua prima cannabis sativa.

Vou introduzir outro fato, mas que deve ser foco em outro texto meu sobre lúpulo. Ele pode ser usado na cerveja de três maneiras: a flor, o pellet (ração) e o extrato. Não preciso dizer que usar a flor é o ideal, mas como qualquer outra flor, ela não dura muito depois de cortada do ramo, então é muito dificil trazer para o Brasil. Mas falaremos disso em outro momento.

O momento agora é de falar sobre as cervejas de hoje. Escolhi duas cervejas que tratam o lúpulo de maneiras diferentes.

A primeira é a Brewdog 5a.m. Red Ale. Como eu gosto muito da cervejaria sou suspeito para opinar, mas é uma ótima cerveja. Existem rótulos melhores deles, como a Punk IPA ou a This.Is.Lager. Mas é um bom exemplo de red ale. Por quê? Porque é uma cerveja refrescante mas com tons mais puxados do lúpulo. Por exemplo: a Old Speckled Hen é uma bitter clássica, com amargor do lúpulo, malte caramelo e pouco corpo. Já a 5a.m é mais encorpada, sem deixar de ser refrescante. Nela o lúpulo Cascade, típico do estilo (são mais 5 tipos na cerveja, mas esse é predominante), não exerce todo seu poder de aroma e sabor, que ficam com o malte e a levedura. Ali o foco é no amargor. Um amargor que traz um retrogosto alto e uma qualidade também alta para a cerveja.

O segundo rótulo é o contrário. Estamos falando da Maledetta, uma Belgian Ale da italiana Birra del Borgo. É bem o estilo italiano utilizar o lúpulo mais para o aroma e sabor do que para o amargor. Por mais que seja uma cerveja forte, encorpada e mais alcoólica do que a 5 a.m ela não é mais amarga. Nela o lúpulo traz muito mais aromas frutados e florais e um sabor de mel, toffee e então frutas cítricas e um pouco de pimenta. Para o meu estilo de cerveja a 5a.m é mais gostosa, mas a Maledetta vale bem o investimento. Por ser menos encontrada normalmente sai mais cara (imagino que entre R$25 e 30), enquanto a da Brewdog segue a faixa de preço da Punk Ipa (de R$18 a 23), considerando as garrafas de 300 e 350 ml.

A primeira combina mais com queijos e a segunda com uma carne de… carneiro, imagino.


Tem uma Ale na minha Weiss é escrita por Otavio Corsini, colunista do Comida pra Casal, que fala sobre aquilo que todo mundo gosta: cerveja. Seja importada, nacional, artesanal ou daquelas que você acha no supermercado mesmo, todas sempre tem sua vez por aqui.

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