Maltagem e o que isso muda na minha cerveja?

Nesse ponto do blog, imagino eu que a maioria de vocês já tenha um conhecimento razoável sobre o mundo cervejeiro. Sabe do que é feita, quais os estilos, escolas cervejeiras, métodos de degustação e como apreciar a experiência de beber – mesmo que ainda não sejamos sommelieres, somos apaixonados e isso nos faz querer sempre mais.

Ainda assim, encontro pessoas que dizem as palavras cevada e malte com o mesmo teor, mesmo significado. Pensei que poderia ser um bom assunto para tratar, já que a maltagem é um dos básicos da produção de cerveja. Cevada e malte são essencialmente a mesma coisa, com a diferença de que a cevada é o grão puro que ao passar pelas etapas da maltagem se transforma em malte e então pode ser utilizado na cerveja.

Aí vocês me perguntam: mas por quê não podemos utilizar a cevada sem passar pelo processo de maltagem? Simples. Na forma de malte, a cevada fica mais suscetível a liberar as enzimas e o amido quando entrar em contato com a água na hora de fazer o mosto. Se você tentar usar a cevada pura, eu imagino – já que nunca tentei fazer isso – que vai resultar em um chá salgado, o que é bem diferente do mosto.

O processo completo é composto por três etapas: infusão, germinação e secagem. Na infusão, coloca-se a cevada em um tanque de água por alguns dias, com o objetivo de acelerar o crescimento do grão e encher ele de água. Depois desses dois dias entra a germinação, que consiste em espalhar os grão no chão e esperar que eles germinem até que os primeiro cabinhos do caule apareçam. E aí entra a secagem. Para não virarem plantas, os grãos são secados com ar quente e, assim, param de germinar se tornando, enfim, o malte. Nessa etapa é onde pode ser torrar ou não o grão, dependendo da temperatura desse ar quente. E mais, ainda se pode defumar os grãos se eles forem esticados em um tipo de “churrasqueira”.

Na verdade o tema do texto é compatível com as cervejas de hoje por causa dessa relação com a secagem do malte. O primeiro rótulo é a Fumaça, uma edição limitada de lager da cervejaria americana, porém cigana, Eviltwin – o dono é irmão do dono da renomada Mikkeller, da Dinamarca. Mas por causa de brigas e desentendimentos, cada um ficou com a sua – em parceria com a brasileira Tupiniquim.

Essa cerveja foi muito interessante para mim pois é uma lager peculiar já que traz uma imagem clássica de cerveja cristalina, refrescante e com aquela cor dourada – no caso um ouro mais escuro -, porém com um sabor defumado que acompanha o baixo teor de amargura deliciosamente. Não tem como não tomar essa cerveja e não querer comer um churrasco.

O segundo rótulo vem do outro lado do mundo, mas também é uma lager refrescante. Para quem acha que na Rússia é só vodka, pode experimentar a Baltika 4, de São Petersburgo. Essa também foi um achado maravilhoso como experiência. É uma lager bem diferente, pois sua fórmula conta com uma parte grande de maltes torrados – no nível de caramelo -, o que traz uma cor escura, parecida com uma bock mais clara. Mas quando se espera uma bock ao se colocar no copo, se encontra uma lager com corpo baixo e refrescância alta, contando ainda com o sabor torrado muito bem equilibrado.

Não me lembro muito bem quanto paguei na garrafa de 500ml da Baltika 4, mas o preço gira em torno de R$23. Já a Fumaça, de 310ml, só se encontra no site da WBeer, e custa R$26, por ser um rótulo exclusivo. São duas cervejas com drinkability alto, mesmo para quem não curte muito esses tons defumados. Com certeza vale o preço.

Eu queria deixar os textos menos “corridos”, mas entendo que um texto muito longo cansa e como eu tiro as idéias do momento – ou seja, sem rascunhos ou predefinições – considero que seja essa uma das características do meu texto, então vai lá tomar uma das duas e depois vem falar comigo.


Tem uma Ale na minha Weiss é escrita por Otavio Corsini, colunista do Comida pra Casal, que fala sobre aquilo que todo mundo gosta: cerveja. Seja importada, nacional, artesanal ou daquelas que você acha no supermercado mesmo, todas sempre tem sua vez por aqui.

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