Damp, no Ipiranga

E estamos oficialmente na metade do Mês do Sorvete. Por enquanto já visitamos lugares dos mais modernos, mas também demos espaço para o quê existe de mais tradicional na sobremesa em São Paulo. Para continuar fazendo bonito, não poderíamos deixar de lembrar de outro nome importante na sorveteria paulistana, a Damp. Original do Ipiranga, ela até abriu voo para outros bairros, mas é na matriz que as coisas realmente acontecem. Seja na decoração mezzo retrô mezzo celestial, na crença em trabalhar com um serviço por quilo ou no cardápio com cem opções de sorvete, lá é o típico lugar pra se visitar em uma tarde livre.

Eu nunca tinha ouvido falar no Dump, mas quando passamos na porta para entrar eu fiquei com uma boa impressão, quando entramos o que pensei se concretizou a casa é extremamente clean e retrô ao mesmo tempo, isso me deixou muito acolhida e encantada.

Assim que você entra se depara com um grande painel de led que fica mostrando diversas opções diferentes que eu nunca vi em uma sorveteria, mas quando encostamos  para entender melhor o que era a sorveteria e veio a grande decepção. A atendente foi simplesmente ignorante com a gente, e mesmo sendo os únicos clientes do local ela continuou tratando mal. Tentei ignorar e voltar a prestar atenção naquilo que ia escolher.

A casa funciona por quilo e lembra bem aquelas sorveteria de praia, que em São Paulo não são tão comuns. As opções de sabores eram muitas e muitas mesmo, acredito que mais de 30, e elas eram bem interessante. Eu como vocês sabem acabo pegando sempre os mesmo sabores e os escolhidos fora : Morango, Chocolate com cereja e Chocomalte. Das três opções o melhor era o chocolate com cereja, mas também não era tudo isso, em geral os sorvetes eram bons.

O que mais gostei foi as bolas de sorvetes que a casa tem, elas são recheada e tudo mais. Como não fui nem um pouco bem atendida acabei não entendendo bem o que era e acabei não arriscando, e fiquei muito decepcionada com isso. A casa tem tudo para ser um bom passeio em família em um dia quente, ou um lugar agradável para uma boa conversa, pena que o atendimento acaba deixando muito a deseja e não faz do local ainda melhor do que poderia ser.

O sucesso de um restaurante, uma lanchonete, uma padaria, uma sorveteria, ou qualquer estabelecimento comercial que trabalhe com alimentação se baseia em três pilares: o sabor da comida, o preço justo e o atendimento cortês. No melhor dos mundos deveríamos encontrar pela frente apenas casas que tivessem esses três pontos em destaque, mas nem sempre é assim. Em muitas vezes sempre existe um lado que acaba atrapalhando. No caso da Damp, o atendimento é responsável pela escorregada da vez.

Durante os poucos mais de 40 minutos que estivemos na sorveteria deu pra sentir algo ainda pior que ser mal atendido por um garçom: aquela sensação de má vontade misturada com  pouco caso com o cliente. O consumidor quando entra em um lugar não quer ser bajulado, mas ao menos pede por um atendimento minimamente funcional. O mês aqui é o do sorvete, mas nada impede durante a visita experimentar outras opções do cardápio do estabelecimento. Tentei ao perguntar mais a respeito das famosas cassatas, e ouvir algo que nem o mais aprendiz do atendente seria capaz de dar.

Mesmo assim, vida que segue. A casa funciona, como rege a tradição, sem aquelas frescuras modernas de preço fechado. Você pode comer o quanto quiser por aqui, mas claro, vai pagar por isso. Os R$ 78 no quilo podem pesar no bolso dos menos avisados, especialmente quando você se depara com sabores que não fazem parte do cardápio comum. Apenas a tentativa em fazer algo diferente já merece aplausos, ainda que em alguns casos a teoria seja melhor que a prática.

O sorvete de Gorgonzola com Nozes, por exemplo, inimaginável por muitos, faz bonito no balcão, mas o excesso de salgado do queijo pode destruir qualquer harmonia com outros sabores. Sorvetes salgados não fazem muito parte do dia a dia brasileiro, e talvez em outras situações funcionassem melhor. Aqui, não. Já não é o que acontece com o delicado Brie com Damasco. Embora seja também com base em um queijo, todo mundo sabe o quanto insosso é o dito cujo. Por isso, não espere muita intromissão dele, dando mais destaque para a fruta.

Experimentações à parte, tentei também sabores mais comuns na casa: Tangerina, Limão e Manga. O primeiro pode ser facilmente considerado como o mais sem graça e fora de sintonia com a fruta. Tem um forte sabor artificial, que certamente não vai agradar os fãs de bergamota. O de limão não faz muito melhor, mas ainda assim, consegue se salvar pelo agradável azedinho. Pelo contrário, o de manga tem uma textura que parece mais com a fruta – possivelmente por ambos terem essa textura semelhante – e um sabor acertado, sem pender para o excesso. Nesse aqui você pode confiar. Mas torça por um dia melhor no atendimento.


Damp – Rua Lino Coutinho, 983 – Ipiranga; Contato: 2274-0746; Transporte: ônibus, táxi; Pagamento: débito, crédito; Faixa de preços: $.
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