Alaska, no Paraíso

Quem não gosta de sorvete, não é mesmo? Saborosa, leve e com mil opções de cores, texturas e tipos, é a sobremesa perfeita para o bendito calor que estamos sofrendo neste começo de ano. E como ele parece que não vai embora tão cedo, resolvemos inovar e transformar fevereiro no mês do sorvete! O que isso significa? Muita coisa! Muito sorvete. Até dia 25 você vai conferir oito opções de ótimas – e algumas não tão ótimas – sorveterias espalhadas pelos quatro cantos de São Paulo.

Pra começar escolhemos um dos pontos mais tradicionais da cidade: a Alaska. Centenária, foi fundada em 1910 e já fazia história muito antes de qualquer outro gelato da moda pensar em aparecer. E além dos vários sabores disponíveis, a sorveteria também se faz conhecia pelas versões gigantescas que desafiam até o mais fã de casquinha. Fomos lá recentemente, e vamos contar um pouco mais do local, do que gostamos e do que não gostamos tanto.

Pensa comigo. Você tem 100 anos de idade. Como iria se comportar em relação ao resto do mundo? Não ligando pra opiniões alheias e excluindo qualquer possibilidade de se atualizar? Esse é um pensamento bem lógico, e é bem o que acontece com a Alaska, sorveteria centenária instalada no Paraíso.

Logo que você entra percebe o quão datado é o salão, que parece ter saído de um filme da Sessão da Tarde. Aliás, a experiência como um todo vai totalmente de encontro ao que podemos ver nas sorveterias moderninhas, com decoração clean e sabores gourmetizados. Na Alaska você acha mesas antigas, em um salão antigo e geladeiras com sorvete daquelas bem tradicionais.

Mas a questão importante é: isso atrapalha? Sem dúvida que não. A casa tem suas características próprias, e exatamente por não seguir as tendências da moda consegue ter seu espaço secular na mente do paulistano. Veja bem. O cardápio é extenso, se formos considerar uma sorveteria. Cerca de 20 sabores estão listados na parede, ou no menu, que mantém aquela estratégia de jogo vencedor, duas bolas por R$ 10 pra quem quer chegar, pedir e ir embora.

Se você prefere sentar em uma das mesas e curtir a decoração vintage, outras opções surgem. A Taça Grande (R$ 17), por exemplo, é a melhor opção pra quem gosta de sorvete, e sorvete apenas, sem aquele monte de doce enfeitando que mata o sabor. Até existem opções monstruosas, como as Cassatas, que custam absurdos e devem ser compartilhadas. Como não era o caso, preferi a taça mesmo, com dois sabores que pareceram dos mais refrescantes: Damasco e Manga.

Por ser uma sorveteria de origem árabe, não é difícil encontrar sabores particulares, como no caso da primeira fruta. E diferente de outros lugares que nem oferecem essa opção, aqui ele é servido com pedaços mesmo da fruta, que faz toda diferença no sabor. A massa em si não prima tanto pelo destaque da fruta, sendo os generosos pedaços os maiores responsáveis. Já o de manga é muito bom, leve e perfeito pra quem é fã da fruta. Entretanto, um problema que aparece nos dois é o excesso de açúcar. Dá pra perceber de tão brilhante que são os sorvetes uma camada (desnecessária) do ingrediente, que acabam enjoando os pedidos maiores.

Quando falei que ia na sorveteria Alaska a minha mãe ficou super animada, ela me contou que quando tinha 5 anos a diversão dela era poder ir ao Alaska pelo menos uma vez. E é com base nisso que a sorveteria faz tanto sucesso até hoje, com certeza se seu avó morasse na região ele também teria ido pelo menos uma vez na sorveteria que foi fundada em 1910, são mais de 105 anos e isso deve ter uma explicação por dar tão certo.

Ela fica em um local que talvez tenha ajudado na sua longa história no começo era no Brás local de alta movimentação de imigrantes e depois no Paraíso pertinho do começo da Avenida Paulista que foi fundada em 1891, tinha boa parte da elite paulista e foi a primeira via asfalta da cidade em 1909, isso tudo facilitou o comércio permanecer firme e ter todo o sucesso que tem até hoje.

Quando você entra no salão amplo você sente que voltou alguns anos e está nos anos 80, mas isso é uma boa impressão porque é tudo bem arrumando. Você tem duas opções de pedido, pegar a ficha e pedir no balcão ou sentar em uma mesa e ser atendido por uma garçom. É na mesa que eles te apresentam o cardápio com muitas opções de sabores, além claro da taça simples. Quando peguei o cardápio não sabia o que escolher eram muitas opções boas, mas em geral sorvetes que você não consegue comer sozinho que deve vir mais de um kilo de sorvete, todas opções em geral  são muito bem servida.

Acabei pedindo então o Choco L’Amour (R$21), que era sorvete de chocolate, chantilly, farofa de castanha de cajú, coberto com calda de chocolate quente. Assumo que a calda de chocolate não estava quente, mas o sorvete era MUITO bom e bem grande também. Apesar de nada nessa combinação ser difícil seria ruim se algo não estivesse sensacional e tudo estavam, absolutamente tudo estava sensacional. Não sei ao certo se a casa tem alguma influência árabe, mas no cardápio você pode ver sabores como pistache, damasco e até miski (resina de árvore árabe) que é totalmente excêntrico e acredito que valha a pena experimentar, só quem já provou sabores assim sabe como é interessante. O atendimento não é dos melhores, mas mesmo assim não estraga a sua visita ao local.


Alaska – Rua Doutor Rafael de Barros, 70 – Paraíso; Contato: 3889-8676; Transporte: metrô, ônibus, táxi; Pagamento: débito, crédito; Faixa de preços: $.
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