Double Stout

Passagem de ano para a maioria das pessoas é renovação, é o branco, é a festa – com champagne, claro. Tambem sou assim, gosto de festejar, gosto de champagne – ou melhor, das cervejas Brut, que são quase champagnes de malte – e principalmente da renovação. Mas não precisam temer: as modificações que 2016 traz para a minha coluna, assim como para o blog, serão melhorias pensadas, como sempre, a partir da minha paixão por cerveja.

A primeira novidade vem do estilo de cerveja. Pela primeira vez eu vou degustar stouts, já que eu tinha um certo preconceito com o sabor de café nas cervejas – ideia que já foi excluída da minha cabeça. Mas isso é pouco para leitores assíduos e críticos como vocês. A segunda novidade é mais interessante: pretendo escrever sempre de um bar diferente. Ou seja, não sou mais eu bebendo em frente ao computador na minha casa e sim eu bebendo em frente ao computador em um bar diferenciado.

Agora, o que isso muda? Tudo. Como já disse em textos anteriores a experiência é parte importante ao se saborear uma cerveja, e pensei que juntar as duas coisas no texto seria bem legal. A questão de ser um projeto é que nem sempre poderei visitar um bar onde o ambiente seja bom e a carta de cervejas seja enorme.

Então pode ser que eu faça em intervalos de tempo e texto, ou pode ser que só pare por aqui – obvio que essa opção não existe, risos. Mas se você, entusiasta da história cervejeira, está triste pois acha que não trarei mais esse tipo de conteúdo, pode secar as lágrimas nessa bolacha que sustenta seu copo: vou sim continuar trazendo os dados que eu pesquiso sobre a história desse líquido maravilhoso.

Como teste, hoje estou no Santa Garrafa, um bar com uma ótima carta de cervejas da minha cidade interiorana, Araras (a 180km de São Paulo). Já trabalhei aqui como ajudante do chef, então imaginei que seria um bom lugar para começar meu #projeto2016 para o Blog. O clima é quase de Pub, com vários quadros de cerveja e uma luz baixa, que traz um tom de malícia. Mas de malicioso não tem nada.

De tempos em tempos eu trarei não só uma mas duas – sim, você leu direito – cervejas do mesmo estilo, para compará-las. E foi por esse motivo que escolhi a Stout.

Quando se fala em stout qual a primeira marca que te vem à cabeça? Por favor não respondam Xingú – para os alemães malzbier tá mais para Gatorade do que cerveja. A resposta correta é a Guinness, uma das cervejas mais vendidas no mundo – entre as stouts é a mais. E é facil saber o porque disso. No clássico copo de pint ela é classica. Uma torre preta com um colarinho de marrom claro. O aroma não erra nos tons de torrado e ainda traz um certo herbal. Na boca é uma daquelas cervejas que se toma de monte: leve, seca e pouco amarga, mas com o gosto do café equilibrado. Os cervejeiros falam muito de Drinkability – ou seja, o quanto uma cerveja te faz querer mais – e com certeza a Guinness tem esse lado bem forte.

O segundo rótulo é uma brazuca e, na minha opinião, o último bom rótulo da Colorado. Meu primeiro texto foi sobre a Appia, mas meu gosto já mudou e não é uma cerveja que me agrada tanto quanto na época. Essa aqui é a Demoiselle, que, ao contrário da Guinness, não é uma cerveja de se beber aos montes. Por mais gostosa que seja, ela é mais pesada, mais doce, mais amarga e até mais carbonatada. Mesmo assim, nenhum desses “mais” desequilibra a cerveja.

No copo ela é muito parecida com a Guinness, mas a espuma é mais escura e menos densa – pelo motivo de a irlandesa ser servida no “draft”, mesmo na latinha. Em questão de aromas é explícito o café quase cru – o que também traz aromas herbais, de mata virgem. Na boca ela preenche muito mais do que a Guinness e traz junto com o amargor do café, o mesmo herbal do aroma. Talvez o doce vá incomodar alguém, mas não imagino que seja a ponto de estragar a cerveja. Por fim, o retrogosto é incomparável.

Em uma escala de 0 a 10 o retrogosto da Guinness é 4 e o da Demoiselle é 8, então é mais facil combinar a brazuca com comida. Doces, principalmente os de chocolate, são a pedida mais óbvia, que quase sempre fará sentido. Na latinha de 500ml da Guinness (abv 4,2%) eu paguei R$16, mas considero acima do valor normal, e na de 600ml da Demoiselle (abv 4,8%) o mesmo preço, mas aí eu já acho mais em conta.

Escolhi dois rótulos dos quais gosto bastante para estrear bem o novo ano de blog, então não vou dizer qual das duas eu gosto mais. Só digo que os textos tendem a crescer e espero que os leitores também.


Tem uma Ale na minha Weiss é escrita por Otavio Corsini, colunista do Comida pra Casal, que fala sobre aquilo que todo mundo gosta: cerveja. Seja importada, nacional, artesanal ou daquelas que você acha no supermercado mesmo, todas sempre tem sua vez por aqui.

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