Methusalem, da Monarchy

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Quem de vocês já ouviu falar em Altbier ou Adambier? E em tradicional Gose? Provavelmente poucos. Eu também nunca tinha ouvido falar até pouco tempo atrás, quando alguns goles de cerveja me levaram de volta para o século XVI em uma viagem para a Alemanha, principalmente nas cidades de Dortmund, Dusseldorf e Leipzig.

O mais interessante dessa viagem foi ver que mesmo pouco tempo depois de criada a Reinheistgebot (que eu expliquei a dois textos atrás), em 1516, os alemães – que sempre tiveram uma imagem de cervejeiros clássicos, apenas com suas tradicionais Weissbier – já tinham a audácia de criar estilos curiosos e condimentados, que não seguiam nem de perto a lei imposta por Guilherme IV . A Altbier, também chamada de Adambier é um estilo de cerveja que utiliza vários tipos de malte em diferentes níveis de torra, e era feita principalmente na cidade de Dortmund, no centro da Alemanha.

É uma ale, ou seja, de fermentação alta (em temperaturas por volta dos 25ºC) mas que tem um processo de maturação em barris de carvalho a frio, o que equilibra bem o amargo e defumado da torra com os aromas e sabores do lúpulo. Só de ser uma ale alemã já seria novidade para muitos de nós, mas o estilo ainda traz um nível de amargor do lúpulo e um sabor azedo que a diferem bem da Weiss – se considerarmos as Witbiers o azedo até se equipara, mas a combinação com o IBU alto é próprio da Adambier.

O outro estilo é a Gose, que também foge da Lei da Pureza mas segue, em parte, o tradicional alemão. Talvez mais antigo que a Adambier, a Gose é uma variação da Witbier, já que é feita com 50% de maltes de trigo e 50% de malte de cevada. Além disso, é uma cerveja temperada que usa o coentro como seu condimento mais relevante – e traz bem isso no sabor, que se completa com toques minerais e cítricos. Em comparação com a Altbier, a Gose não enche a boca, mas é uma bebida mais delicada – até mesmo pela diferença de graduação alcoólica. Recentemente eu bebi as duas. Me Invejem. Eu tomei a Methusalem, da cervejaria The Monarchy, de Colônia e a Geisterzug Gose, da Freigeist Bierkultur, também de Colônia.

Mas vou focar na Altbier pois foi a mais recente e eu sei que vocês já devem estar com água na boca, só esperando o texto acaba para ir comprar uma. A Methusalém, da cervejaria The Monarchy, de Colônia, tem esse nome por causa do personagem bíblico Matusalém, que supostamente viveu 969 anos, assim como a cerveja que envelhece no mínimo um ano em barris de carvalho antes de ser comercializada – e envelhece também na estante da sua casa, evoluindo levemente em seus sabores. Para mim foi uma cerveja diferente mas que agradou demais. Estou em um momento porters e stouts e essa se aproximou, mesmo que tangencialmente, da moda atual nas minhas papilas gustativas.

Nas percepções de copo é uma cerveja de cor amarronzada, parcialmente cristalina, com uma formação de espuma razoável. Os aromas puxam totalmente para o torrado, porém com alguns toques herbais que a deixam muito convidativa. O sabor é o ponto alto e digo isso pois vou voltar a tomar essa cerveja. Vários níveis de torra do malte criam uma experiência, que, para quem gosta de Porters e Stouts cai muito bem. Além da torra, o lúpulo é muito bem explorado, liberando um sabor mais azedo, cítrico, mas nada de excessivo – como a Sur Citra, da To Ol. Ela tem 10% de graduação alcoólica, o que é bem alto, e um IBU que eu imagino entre 55 e 65 – já que a garrafa não me mostrou esse valor.

Eu nunca tomei cerveja com doce ao mesmo tempo, mas as recomendações para esse cerveja são exatamente essas: sobremesas e queijos fortes. Acho que eu gostaria mais de comer com o queijo forte, mas preciso experimentar com a sobremesa para ver se esse pessoal não está falando besteira. Eu recebi essa cerveja no meu clube mensal, junto com o outro rótulo da cervejaria, a Preussen Weiss, e, infelizmente, é uma cerveja – assim como o estilo – difícil de encontrar. Mas uma coisa eu digo: vale a pena buscar por este tesouro alemão.


Tem uma Ale na minha Weiss é escrita por Otavio Corsini, colunista do Comida pra Casal, que fala sobre aquilo que todo mundo gosta: cerveja. Seja importada, nacional, artesanal ou daquelas que você acha no supermercado mesmo.

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2 comentários sobre “Methusalem, da Monarchy

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