Yes, nós temos hambúrguer

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O que é que a baiana tem, não é mesmo? Pensa comigo, desde que o mundo é mundo o brasileiro tem aquele sentimento crônico de inferioridade. Nelson Rodrigues já dizia com o tal complexo de vira-lata, depois da seleção de futebol perder a final em 1950. Mas isso não vale apenas pra essa questão esportiva. Em todas as esferas, o próprio Brasil se vê diminuído quando comparado com outros países. Tudo bem, sejamos justos: são vários, e quando digo vários, muitos mesmos, argumentos que ajudariam a mostrar que a terra do Zé Carioca não é tudo isso. Mas em alguns aspectos, pelo menos, parece que as coisas estão melhorando.

Mentira? Vamos pegar o universo da comida, tema aqui do nosso mundinho. Quem era o Brasil na fila do pão até algumas décadas atrás? Ninguém? Ou apenas alguém sem muita importância. Hoje, por diversos motivos, já temos alguns exemplos nacionais que brilham lá fora, sejam restaurantes estrelados, cozinheiros renomados ou pratos mundialmente adorados – sim, estamos falando de coxinha aqui.

Nossa gastronomia melhorou muito, sejamos verdadeiros. Claro, não é possível afirmar que o Brasil tem a melhor comida do mundo, ou os melhores restaurantes do mundo. Mas a diferença entre hoje e 65 anos atrás, mesma época do Maracanazo,  é um gritante abismo.

E isso leva ao tema da coluna de hoje: sim, nós temos hambúrgueres. A combinação de carne de vaca, queijo, salada e duas fatias de pão macio, como é de se imaginar, não surgiu em terras tupiniquins. Ela veio (segundo uma das várias teorias) de Hamburg, uma cidadezinha no interior de Nova York – e não em sua homônima alemã – pra dominar a cultura mundial da gastronomia. Em qualquer lugar do mundo que você pise, certamente vai achar um cheeseburger pra comer. McDonald’s que o diga.

Entretanto, mesmo sendo criadores e tidos como os representantes máximos do sabor, será que ainda hoje os Estados Unidos possuem mesmo toda essa pompa? Opção é o que não falta por aquelas bandas, experiência própria. Mas se selecionarmos alguns nomes fora da indústria do fast-food, podemos lembrar tanto do Five Guys quanto do Shake Shack. Um da Vírginia, outro de Manhatan. E realmente, ambos são deliciosos, cada qual o seu quadrado. Enquanto o primeiro é super completo, com um milhão de acompanhamentos inclusos e sabor forte da carne, o outro tem um pão que parece ter sido feito no céu. E dá pra somar o queijo, e também a carne. Enfim, só de lembrar me dá fome de novo.

Mas voltemos ao cerne da questão: os melhores de lá são tão melhores que os melhores daqui? Olha. O blog está no ar tem quase dois anos, já tivemos a oportunidade de provar dezenas de sanduíches por toda São Paulo, fizemos duas edições da Quinzena do Hambúrguer e sempre que possível vamos visitar uma casa nova. E nem precisa ser apenas aqui. Existem vários outros grupos que listam e experimentam todo tipo de hambúrguer disponível pelo país, como o pessoal do Hambúrguer Perfeito, ou do Guia do Hambúrguer. E o que isso tudo quer dizer, cara pálida?

Quer dizer que o tal complexo de vira-lata precisa, pelo menos no que toca o cenário dos hambúrgueres, ser revisto. Meu preferido aqui na cidade, o Vinil Burger não fica atrás nem de Five Guys, nem de Shake Shack. E digo mais, é tão bom quanto, talvez até melhor. E não acha que a joint de Pinheiros é tudo isso? Vai até o Z Deli, o 12 Burguer & Bistro, o Holy Burger ou o Big Kahuna. Nenhum deles come poeira dos gringos. Não em sabor, pelo menos.

Ainda que com um milhão de defeitos, o gigante acordou, esquentou a chapa e aprendeu como preparar espetaculares sanduíches que deixariam os irmãos Menches orgulhosos. Brasileiro sabe sim fazer muito bem, ainda que com bastante influência externa, mas que nos permite afirmar que yes, nós temos hambúrguer.


Fast&Food é escrita por Raphael Diegues, editor do Comida pra Casal, que aborda novidades e dúvidas dos consumidores a respeito das redes de comida rápida espalhadas pela cidade.

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