Porquê beber

coluna-temumaale-2015

E estou de volta das férias. Aproveitei o clima de descanso e o fato de meu carregamento de cerveja do mês ainda não ter chegado, para fazer um texto diferente, sem apresentações, dicas de harmonização e nem dados históricos. Poderia, se eu quisesse. Tomei várias brejas – entre elas a Bock da Schornstein, uma cervejaria de Holambra, no interior de São Paulo – e tive algumas experiências inesquecíveis. Na verdade, foi isso o que me incentivou a escrever esse texto: experiências. Para ser mais exato, vou usar um pouco do meu amor para falar sobre o ato de beber a cerveja, significados, sentimentos, reações e etc.

Existe muita discussão sobre o consumo de bebidas alcoólicas, principalmente em relação a serem uma droga com alto teor viciante – pesquisas já apontaram o álcool como a segunda substância mais viciante, atrás apenas da cocaína – e de consumo mundial. Todas as bebidas tem sua parte na discussão, mas com certeza a cerveja e o vinho são as bebidas que mais valem o destaque. São as que mais movimentam o mercado mundial, são as mais consumidas e tem um valor ético e etílico mais moderado do que as outras. Mas esqueçamos o vinho. A discussão sobre cerveja é que a bebida é tão presente no dia-a-dia, seja em que país for, que ela se torna intrínseca às nossas vidas, mesmo que você não beba. Isso é visto por uns como uma praga que vicia e estraga a vida de todo mundo, e por outros como um produto da indústria do lazer, importante para os momentos memoráveis e para a saúde. A questão aqui é: não existem lados pois ambos estão certos. Mas existe um ponto de encontro, que faz da cerveja a melhor bebida já inventada – desculpem, enólogos, não aguentei -, o equilíbrio. Assim como qualquer outra coisa, a cerveja deve ser apreciada com moderação – sim! ouçam às propagandas em vez de só olhar as curvas das modelos que as fazem – constituindo toda uma atmosfera em que a cerveja realmente faz bem. Bem para a cabeça, pois relaxa e anima; bem para o paladar, pois é uma bebida gostosa, que enche a boca de sabores; bem para saúde, pois hidrata, previne a diabetes etc.

A atmosfera da cerveja é bem variável: pode ser em um bar bem decorado, um churrasco com os amigos, um restaurante fino ou até em casa, sozinho. O negócio é que em todas essas situações alguns fatores fazem com que o consumo de cerveja seja saudável.

Primeiro, o clima de descontração – ou de relaxamento – ajuda as papilas gustativas a sentirem os sabores – quando se está muito nervoso ou irritado, seu paladar perde poder e você acaba bebendo somente o álcool da bebida – e, assim, o corpo todo sente a serotonina sendo liberada (para quem não sabe, serotonina é a substância que nos faz sentir extasiados).

Segundo, beber por ter vontade e não obrigação é importantíssimo. Estar com sede de cerveja é a expectativa do primeiro gole, que prepara todo o corpo para a explosão de sabor que vai abrir a porta de entrada para a atmosfera de que tanto falo. Para isso, é preciso gostar de cerveja, obviamente. Tem muita gente que bebe cerveja por não ter mais o que tomar e assim que o líquido na boca não é prazeroso, ele se torna amargo – amargo ruim, não o delicioso das bitter ales.

Terceiro, tomar 50 latinhas de Skol em 30 segundos não tem como fazer bem, nem que seja a atmosfera do paraíso. Beber moderadamente, alimentado – ou alimentando-se – e sem pressa é o outro fator que faz do ato de beber bebidas alcoólicas saudável.

Mas e aí, Otávio, o que te fez tão animado para escrever um texto desses? Uma experiência.

Acompanhado de pessoas que me fazem muito bem, adentrei 2 quilômetros em um mangue de uma praia no Rio Grande do Norte e montei acampamento: Uma mesa, quatro cadeiras, um cooler de cervejas, um prato delicioso de peixe e é claro, pernas imersas no rio escuro do mangue com vários peixes beliscando meus tornozelos. Aquela atmosfera foi inesquecível e pode ser que muitos pensem que já viveram isso, mas não. Aquele momento, meu, é inexplicável, intransponível. É mais ou menos isso que beber cerveja significa para mim. Experiências. “Se for beber cerveja, beba cerveja; Se não for, não beba cerveja”.


Tem uma Ale na minha Weiss é escrita por Otavio Corsini, colunista do Comida pra Casal, que fala sobre aquilo que todo mundo gosta: cerveja. Seja importada, nacional, artesanal ou daquelas que você acha no supermercado mesmo.

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