IPA, da Caldera

coluna-temumaale-2015

Cerveja ou vinho? Adoro essa comparação. Primeiro porque o vinho “sempre” foi considerado a bebida mais elitizada dentre as duas, e segundo porque eu tenho diversos motivos pessoais, porém embasados, para defender a cerveja e dizer que ela pode substituir o vinho na maioria das situações. São milhões, se não bilhões, de mitos sobre as duas bebidas, todos tentando defender um dos lados da disputa.

O primeiro grande mito sobre cerveja, inventado pela inteligência da legião vinícola, é de que a bebida engorda e se você tomar muito, fatalmente vai obter a temida barriga de chope. O que não faz sentido, já que a cerveja é feita de grãos e água (tem menos caloria do que o suco de uva). Quanto a barriga de chope, aposto que se você tiver uma vida saudável e se exercitar bastante ela não vai surgir. Na verdade, existem pesquisas que comprovam que até 600ml de cerveja tomados pós exercício físico repõem mais água e sais do que o próprio Gatorade. E se o vinho faz bem para o coração, a cerveja também faz bem, sendo um grande diurético e até antidiabético.

Agora, dizer que o vinho é bem mais difícil de tomar, só por causa de seu teor alcoólico e sabor doce também não é verdade. Existem inúmeros tipos de cerveja, das mais fáceis de tomar (experimentem essa Miller que começou a ser vendida mais banalmente nos supermercados, cujo simbolo é uma águia, e vão entender o que é uma cerveja fácil de tomar, mesmo que seja muito ruim) até as mais difíceis, com graduações alcoólicas que podem passar a do vinho e sabores muito mais pesados e intensos do que o doce da uva. Historicamente, a cerveja sempre foi mais apreciada no mundo, desde 4000 a.c, com o povo sumério, que descobriu a cerveja por acaso (vou explicar melhor essa história no próximo texto). Isso até chegar o grande Imperador Julio César, que fez do vinho uma bebida elitizada, deixando a cerveja, cujos insumos eram muito populares e a produção não requeria finesse, para o povo. Parte dessa divisão ainda acontece hoje em dia, quando se diz que apenas o vinho combina com pratos caros e que cerveja é só “para encher a cara”.

Para ilustrar bem a complexidade das cervejas escolhi mais uma IPA para essa semana. Eu prometo, juro juradinho, que vou fazer um texto sobre uma porter ou stout (cervejas escuras), para os que sentem falta disso. A dessa vez é a IPA da cervejaria americana Caldera, de Ashland, Oregon. Essa cervejaria foi uma das primeiras nos EUA a produzir e enlatar por si própria e utiliza seu próprio lúpulo na receita da IPA. Quando fui comprar a cerveja muito do meu interesse veio por ela estar no livro das 1000 cervejas que você deve tomar antes de morrer. E agora entendo bem o porquê disso: na minha cabeça, eu conhecia algumas IPAs, e podia dizer que elas tem um aroma e sabor de lúpulo mais elevado do que o amargor em si. Porém, essa versão da Caldera oferece 94 IBU (medida de amargor das cervejas), o que é consideravelmente alto e me fez esperar por uma bebida amarga com muito corpo. E aí veio a surpresa. Nas impressões de copo ela apresenta uma cor âmbar escuro, bem turva, e uma espuma densa, além de uma carbonatação média. Em relação a aromas, ela lembra bastante as red ales clássicas, mas ainda assim, com um toque frutado perceptível, de caramelo. Já na boca a IPA da Caldera é uma bebida leve, com corpo médio/alto, um retrogosto não muito alto e os maltes torrados bem claros, assim como o lúpulo. Chamou minha atenção ainda a viscosidade: é uma cerveja que deixa a boca “melada”.

Como opção para harmonização queijos secos, como parmesão ou grana padano, mas se quiser arriscar com uma carne menos gordurosa, como um filet mignon também acho válido. Além dos 94 IBU, a Caldera IPA tem 6,1% de álcool (sigla ABV) e me custou R$uma facada (22,00), pela latinha de 355 ml. Para quem gosta de lúpulos essa cerveja é uma surpresa, para quem não gosta, melhor ficar na Miller mesmo.


Tem uma Ale na minha Weiss é escrita por Otavio Corsini, colunista do Comida pra Casal, que fala sobre aquilo que todo mundo gosta: cerveja. Seja importada, nacional, artesanal ou daquelas que você acha no supermercado mesmo.

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