Sesson, da To øl

coluna-temumaale-2015

Ultimamente eu não tenho sido justo com vocês leitores. Digamos que não tenho me dedicado 100% aos textos, mesmo que seja (e continuará sendo) uma das atividades que mais me agrada. Porém hoje vai ser diferente, pode acreditar. Diferente no ânimo, diferente na cerveja e, principalmente, diferente na dedicação: hoje estou aqui! E estou muito feliz, pois a primeira caixa do beerclub que eu assinei chegou ouriçando minha curiosidade por novos estilos cervejeiros. Há mais ou menos um mês, comecei a pagar o beerclub do site WBeer que é relativamente novo no mercado de beerclubs. Diferente da maioria, o beerhunter deles escolhe uma cervejaria e duas cervejas para enviar aos apreciadores (junto com um pôster muito legal, a revista WBeer e duas bolachas). Preciso dizer que estava muito ansioso para que a caixa chegasse e eu pudesse dividir minha experiência com vocês.

Antes de apresentar a escolhida do dia, eu vou falar de um assunto curioso, que muitos não dão importância e acabam perdendo, mesmo que em parte, a experiência completa de se degustar uma cerveja. “Os copos fazem diferença” foi o tema de uma discussão minha com meu tio, daquelas clássicas de bar quando você nem sabe mais onde está ou quantos chopes tomou, e mesmo assim quer provar que ainda tem seu norte definido. São diversos formatos de copos usados para se beber cerveja, todos com seu propósito e seu estilo preferido, mesmo que alguns sirvam meramente de recipiente. Começando pelos clássicos brasileiros, Lager e Americano.

O Lager é o classico copo de chope, cuja base tem praticamente o mesmo diâmetro da boca, mas tem uma curva entre os dois, e o Americano é aquele com vários “gomos” que normalmente vem acompanhado de uma Skol ou uma Brahma no “Bar do Tio Zé”, ali da esquina. Nenhum dos dois tem seu propósito muito definido, a não ser atrair os olhos de quem bebe cerveja, mas são com certeza os mais encontrados no Brasil. Existe ainda um terceiro cujo propósito é básico: proteger ao máximo a cerveja de  esquentar (até mesmo das mãos de quem bebe).

Estamos falando da caneca, que não é um clássico brasileiro (tá mais pra região da Bavária), mas que também é bem comum quando se fala em chope. A partir daí aparecem alguns outros estilos de copos, esses sim, com seu propósito definido. Ao se falar em Pint, automaticamente concebemos a imagem do copo com aquela barriguinha, que serve para diminuir a espuma e facilitar a ingestão em grandes quantidades (o copo original tem 551ml), perfeito para estilos da escola inglesa, como Stouts e Bitter Ales.

Então aparece a Tulipa, copo muito utilizado como copo de degustação por bares que tem cervejas mais elaboradas, o Weissbier, que são aqueles copos que parecem a taça da Copa do Mundo e que influenciam demais na espuma das cervejas de trigo bem servidas (ele também ajuda a manter no fundo o sedimento que pode ser encontrado nesse estilo) e o cálice que é mais ou menos para que o degustador realmente “se cale”, já que maximiza a sensação do olfato por ter uma boca bem aberta, ótimo para cervejas belgas com aroma frutado e floral bem acentuado.

Vamos à degustação. Ao abrir a caixa da WBeer eu já sabia o que encontraria, mas até decidir qual das duas escrever sobre foi complicado. A da vez é a Sesson, da cervejaria dinamarquesa To øl, de Copenhague. Criada em 2010, a To øl foi nomeada em 2015 a 9ª melhor cervejaria do mundo, e é conhecida por ser uma “cervejaria cigana”, já que os mestres cervejeiros utilizam equipamentos de outras pessoas, dando uma característica de diversificação nas ideias das cervejas. A Sesson é uma Saison feita especialmente para o Brasil por ter um sabor bem tropical. No copo ela tem uma cor âmbar bem clara mas turva, quase dourado.

No momento em que você a serve precisa tomar cuidado para não derramar espuma, que é muita. Os aromas também chamam bastante a atenção. É muito claro o cheiro de frutas cítricas, principalmente abacaxi, e alguns tons herbais. Já na boca é uma cerveja muito interessante pois é uma cerveja seca, mesmo com o sabor um pouco mais cítrico, bem comum em Saisons. Tem um amargor baixo, mas se sente no fim da língua o sabor do lúpulo, que não chega a dar um retrogosto muito intenso. Achei que ela se encaixa bem no perfil do brasileiro, que gosta de cervejas refrescantes (para se tomar gelada, por volta dos 6 graus celsius) e sabores frutados, que normalmente dão a impressão de uma cerveja doce (mesmo que não seja) para quem não é acostumado a beber as mais encorpadas.

Dá pra ver que é uma cerveja de alta qualidade, e que agrada bastante ao paladar, mas não entra na lista das minhas preferidas. Como harmonização eu tenho que concordar com a dica da própria cervejaria e digo que carnes vermelhas com molho barbecue são muito interessantes.

Espero que o ânimo que essa cerveja me trouxe esteja nos copos de vocês, Skål !!! (cheers, em dinamarquês).


Tem uma Ale na minha Weiss é escrita por Otavio Corsini, colunista do Comida pra Casal, que fala sobre aquilo que todo mundo gosta: cerveja. Seja importada, nacional, artesanal ou daquelas que você acha no supermercado mesmo.

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