Ponto Chic, no Paraíso

Foi no começo do século passado, como quem não quer nada, quem o Ponto Chic conseguiu entrar pra história da gastronomia de São Paulo. Sem pretensão alguma a combinação queijo, rosbife, tomate e pepino ganhou a história, e nasceu o Bauru. Hoje já são quase 80 anos de tradição e pessoas de todo o lugar que vão atrás do famoso lanche. Com três unidades, visitamos a do Paraíso nesta semana pra experimentar o cardápio da casa, e dar os nossos pitacos. O respeito de sua importância tem que ser mantido, sem dúvida, mas não exime o local de alguma crítica. Então continue lendo e deixe suas próprias opiniões lá no nosso face.

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Bom, talvez eu pudesse dizer que eu gostei, e que eu iria lá de novo, mas seria mentira. Na verdade, mesmo com sua história, não gostei nem um pouco. O lugar não é nada acolhedor, o atendimento é ruim e da comida eu falo logo mais. O Ponto Chic é conhecido por seu famoso Bauru, presente na cidade de São Paulo desde 1922 e hoje disponível em três endereços. Com o passar do tempo a casa foi conquistando mais e mais gente pela cidade, mas atualmente não é considerada uma grande lanchonete, mesmo com o respeito por sua tradição.

Quando entramos o garçom nos ignorou, e já percebi que a disposição das mesas é um pouco estranha, pois quase não existem específicas para duas pessoas. E com isso você fica tão próximo das pessoas que dá para dar a opinião na conversa alheia. Sentada, reparei nas indicações do Comer & Beber ao longo do tempo, mas sem nenhuma conquista. Estranhei no começo, mas depois entendi o motivo.

Ao receber o cardápio, fiquei assustada com os valores dele. Nada, mas nada custa menos que R$ 20. Achei tudo bem salgado, a ponto de reconsiderar comer alguma coisa. Mas como precisava escrever sobre a comida, acabei pedindo algo diferente do Rapha, que escolhera o Bauru.

Pedi então o mais tradicional Beirute (R$ 38,50) da casa, feito com rosbife. Achei que era uma boa opção, afinal, se o Bauru era tão famoso, os outros lanches não deveriam estar abaixo. Como no cardápio não existia a descrição do prato acabei precisando da ajuda do atendente, que me listou: rosbife, alface, tomate, pepino, maionese e queijo. Antes da visita fui dar uma olhada na internet, e vi que o prato acompanhava uma porção de fritas, por isso imaginei que o garçom tivesse esquecido de mencionar.

Não foi o que aconteceu. Não veio batata alguma, mas ainda assim não questionei, pois espeva que o sabor do beirute compensasse o valor desembolsado. E mais uma vez fui decepcionada. Como dá pra ver na foto, a única coisa presente no lanche é queijo. Caso somemos todos os outros ingredientes do lanche, provavelmente não daria a quantidade de queijo utilizado na receita. E pra piorar, o queijo era ruim. O gosto não era bom, e de tanto usado ele acaba não derretendo direito. Nas primeiras mordidas, por exemplo, dava pra sentir apenas o gosto do queijo e do alface.

A palavra decepção é o resumo do lugar, ambiente decepcionante, lanche decepcionante e atendimento decepcionante, posso até estar sendo muito chata, mas infelizmente tive uma péssima experiência onde tanto me falavam. E o rosbife? Ainda estou procurando por ele.

A primeira coisa que você percebe quando entra no salão do Ponto Chic é sua aura de antigo, com as mesas de madeira escura e os garçons mais experientes que o de costume. Entretanto, dá pra perceber claramente a bagunça do ambiente, com mais mesas que aquele espaço deveria ter. Com isso, você fica apertado no seu lugar e obrigado a ouvir as conversas alheias. Não é o fim do mundo, mas também não ganha pontos no quesito conforto.

Mas acho que hoje não é dia de focar no atendimento ou na decoração, mas pura e simplesmente na comida. Afinal, estamos falando de um dos mais emblemáticos pratos da cidade. E qual o resumo da ópera? Ele é bom, mata sua fome. Só que isso não é o suficiente. Existe uma óbvia falta de equilibro entre os ingredientes da receita, que acaba atrapalhando o sabor do Bauru (R$ 23,30). O lanche parece mais um queijo quente com ingredientes extra que um bauru propriamente dito. E de quem é a culpa? Do queijo.

Eu gosto do queijo porque eu gosto de queijo. E a combinação gouda, prato e suíço tem seu sabor próprio, mas o excesso esconde o pouco rosbife servido entre as fatias de pão. E essa é outra crítica: com um valor tão alto cobrado – sim, R$ 20 por um lanche simples como ele é, é caro – daria pra investir mais na carne. Pra agravar a situação, a receita ainda inclui fatias de pepino em conserva, que ajudam na missão de escondem o rosbife no prato. No final das contas você sabe que ele está lá, apenas não consegue sentir seu gosto.

Entendo que tradições são importantes, e devem ser mantidas para a prosperidade. Só que elas não devem ser usadas como muletas, nem argumentos pra deixar de atualizar o próprio cardápio. Com mais equilíbrio entre os ingredientes utilizados, e uso menos excessivo deles, daria para oferecer um lanche menos enjoativo e com valores consideravelmente mais baixos. No processo criativo do bauru o sr. Casemiro, o responsável pela concepção do lanche, se preocupa com a necessidade de incluir proteínas e vitaminas na receita, mas parece ter se esquecido do excesso de gordura.


Ponto Chic – Praça Oswaldo Cruz, 26 – Paraíso; Contato: 3289-1480; Transporte: metrô, ônibus, táxi; Pagamento: débito, crédito, vr; Faixa de preços: $.
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