E o brinquedo?

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Super Mario, Fred Flintstone, Pokémon. Que atire a primeira pedra quem nunca foi fazer uma visitinha ao McDonald’s, ou qualquer outra rede de fast-food atrás de um desses brinquedos distribuídos junto dos combos infantis. Esse tema já era recorrente na minha cabeça, mas foi com o recente caso dos Minions que veio a ideia de escrever sobre isso. Com o iminente lançamento do homônimo filme, uma bela jogada de marketing criou a ação entre a lanchonete e a produtora do longa, que resolveu oferecer como brinde 15 variações dos carismáticos bonecos amarelos.

E por doar, entenda pagar, já que o real alvo da ação não são crianças, mas jovens adultos na casa de seus 20 anos. Mentira? Pense bem: ir ao McDonald’s ainda não é visto como a mais saudável das opções para nutrir os pequenos, então certamente as coleções destes não devem passar da meia dúzia de figuras de ação, uma vez que papai e mamãe (donos do dinheiro) não deixam. Por outro lado, um alvo que tenha independência financeira, e nutricional, certamente pode se dar ao luxo de gastar R$ 12 por Minion. Ou Mario. Ou seja qual for o personagem da vez que tenha algum motivo para ter seu interesse gerado. E veja bem, investir o valor no brinquedo avulso é bem mais fácil que comprar um minguante McLanche Feliz pra “ganhar” o dito cujo. E façamos as contas: 15 bonecos por R$ 12 são R$ 180 por coleção.

Ah, mas quem vai comprar todos esses bonecos, você se pergunta. Não por coincidência, fui até ao McDonald’s nessa quarta, quando começou a promoção. E o tamanho da fila impressionava. Talvez não pelo tamanho, mas pelo objetivo dela, que não era comprar um Big Mac. E veja só, a maior parte era formada exatamente gente que aproveitava o almoço pra comprar um ou outro boneco. Eu mesmo comprei três pra Na, e não era difícil perceber gente saindo com seis ou sete de uma vez. E fazendo um cálculo rápido, se a fila tivesse 50 pessoas, e cada uma delas comprasse um boneco, estamos falando de uma receita de R$ 600 em 20 minutos. E mais, R$ 600 dentro de uma ação onde a empresa responsável pelo marketing do filme já investiu uma bolada pra ter sua marca exposta na lanchonete. Então a lanchonete, no caso o McDonald’s, não está ganhando uma, mas duas vezes. Bom assim, não?

E você acha errado investir nisso? Muito pelo contrário. Lembro-me de quando era criança, e os brinquedos distribuídos eram piores que aqueles de gincana da escola. Uma vez tive a primazia de ganhar um conjunto com seis gizes de cera. Sim. Giz de cera. Pra ficar pior só se fosse um par de meias. E entre uma frustração e outra nesse quesito, acabei crescendo sem um Minion cantante, um Chaves ou um personagem de Hora da Aventura. Em tempos onde o faturamento fica aquém do esperado, as vendas não batem metas e a crise se instaura no setor de fast-food, abrir outras frentes de receitas parece ser um tiro certeiro, não apenas pra vender boneco, mas pra vender comida também, uma vez que estamos falando de uma lanchonete. E o brinquedo? Pode esperar, se você ainda não comprou um, logo mais sua hora vai chegar.


Fast&Food é escrita por Raphael Diegues, editor do Comida pra Casal, que aborda novidades e dúvidas dos consumidores a respeito das redes de comida rápida espalhadas pela cidade.

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