Paris 6, no Jardim Paulista

E chegou o momento. Desde que abrimos o blog, o Paris 6 era um dos lugares mais almejados pra uma visita, por motivos óbvios: o longo cardápio que leva o nome de centenas de famosos que já passaram por lá e também uma sobremesa em especial, o Grand Gateau – que abre na foto da crítica de hoje. Uma invenção da própria casa, que hoje já conta com três unidades em São Paulo (sendo uma ao lado da outra) e uma no Rio, e leva dezenas e dezenas de pessoas a formar intermináveis filas de espera por uma mesa. Estávamos aguardando o momento certo pra conhecer o ambiente, e nada melhor que como sugestão para o Dia dos Namorados, que acontece amanhã. Por isso, sem mais delongas, veja a nossa opinião nas próximas linhas, daquilo que gostamos, e dos que nem tanto.

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O dia dos namorados é sempre um momento muito esperado pelos casais. Eu particularmente acho um dia como qualquer outro e até me incomoda um pouco o fato de me sentir obrigada a dar algo para o Rapha, é tão forçado. Por isso acho mais legal sair para comer algo, só os dois e pronto, nada melhor.

Dessa vez vamos falar do Paris 6, sei que é super clichê, mas conheço muitas pessoas que conhecem o lugar, mas nunca foram. Em São Paulo, o restaurante tem três casas e todas ficam na Haddock Lobo, sempre, mas sempre, com filas e cheias. Por isso, tente reservar uma mesa, caso não consiga seja paciente e chegue cedo. Eu vou começar pela parte ruim: o atendimento, com certeza a pior parte. Nós tínhamos feito a reserva uma semana antes, quando chegamos na unidade marcada a recepcionista não sabia da nossa reserva, e nos mandou procurar em outra casal. No final não acharam a nossa reserva e a última recepcionista, depois de falar meia hora que nossa reserva não era lá, disse que tinha uma mesa vaga pra gente.

Sentamos em uma mesa apertada, junto dos interruptores e bem na passagem. Mais uma vez o atendimento não ajudou, os garçons queriam mexer na luz e ficavam enfiando a mão na nossa mesa, isso foi bem chato em qualquer lugar, imagina então em um que se propõe a uma experiência diferente. O garçom que nós atendeu era normal, curto e grosso, a ponto da alteração no meu prato ter sido solenemente ignorada – ele marcou a mudança, mas quando chegou à mesa, nada de diferente. Acho que isso acontece porque o lugar já é conhecido, e acaba esquecendo que ainda precisa atender os seus clientes de forma excepcional, principalmente por ser conhecido.

Então posso falar da parte boa, a comida. Pedimos de entrada uma porção de bolinho de arroz com brie, a porção é boa mas eles colocam num prato enorme e parece que veio faltando metade da porção. Mas o bolinho é bem bom, vem acompanhado de geleia de pimenta e combina super bem, o recheio é molhadinho, e você sente a presença do queijo. É bem gostoso. Como prato principal pedi o Entrecôte Grille aux Frites à “Ronnie Von” (R$ 69). Adoro os nomes de lá, sempre com nome de alguém. No caso, pedi para trocar por fritas comum ao invés das batatas rústicas, mas isso não aconteceu. Quando o prato chegou achei que era pouco, mas acabou não sendo, a carne era incrivelmente saborosa e veio no ponto que pedi. A mudança da batata acabou não afetando muito a experiência, pois a mesma era bem preparada e saborosa.

Até esse momento eu já estava morrendo de tanto comer, mas não tem como ir ao Paris 6 e não comer nenhuma daquelas sobremesas incríveis. Para quem não sabe, o Instagram do restaurante oferece em alguns dias o #degustafree, você pede uma prato principal e ganha a sobremesa do dia. Então quando forem lá deem uma olhada no perfil deles para ver se tem algo interessante. No dia que fomos era o Carol Castro que ainda não está no cardápio, e se consiste em um brigadeiro gigante, com sorvete de gianduia, morango e leite condensado. Dá para imagina como é doce, certo? Não comemos tudo, obvio. Pedimos também o grand gateau Paloma Bernardi que é a sobremesa mais conhecida, eu gosto MUITO dela, mas ela também é muito doce e grande, com certeza não comeria aquilo sozinha.

Paris 6. Esse é um nome que eu ouço com regularidade tanto da Na, que já conhecia a casa, como de amigos e leitores que pedem uma crítica há tempos. Decidimos tentar a sorte para a celebrada data desta sexta, e fizemos uma visitinha nesta segunda-feira. A reserva, claro, foi feita na semana anterior, tamanho desespero das pessoas em comemorar uma marca em seus relacionamentos alheios. E esse é o primeiro ponto que merece uma análise: a clientela.

Formada basicamente por casais, é até possível visualizar mesas formadas por famílias ou grupos de amigos, mas o grande forte são as duplas de apaixonados. Tanto que mesmo com três unidades separadas por 100 metros, a fila para uma segunda-feira pode ser considerada absurda. Absurda do tipo não tente sua sorte sem uma reserva. Por sorte até pode acontecer, mas a probabilidade não é das maiores. E essa fila se explica telhados a dentro? Talvez, mas o que mais impressiona é a aura criada em torno do local, e claro, o marketing de todo o desfile de artistas, cantores e artistas que dão nome aos pratos do restaurante.

Aliás, restaurante é uma alcunha que o próprio estabelecimento prefere ignorar, já que o termo adotado aproxima-se mais de um espaço de cultura e gastronomia, com fortes referência à filmes e espetáculos, todos com apoio da casa, espalhados por suas paredes. Isso talvez ajude a explicar o burburinho entre os famosos, e que consequentemente leva hordas atrás de uma das mesas em seus salões exagerados. E quão exagerados. Com uma decoração que te transporta para dentro de um Moulin Rouge rococó, cheio de neons e luzes vermelhas, o ambiente ajuda até a criar um clima mais intimista, mesmo que chegando naquela tenuidade brega de ser. E quem não gosta de um pouco de brega na vida?

Mas nem só de cultura vive o Paris 6. A outra parte do mote é a gastronomia, e foi ela a causadora de nossa visita. Como disse, o cardápio é conhecido por levar o nome de gente famosa, então não estranhe em pedir, ou ouvir alguém pedindo, uma Regina Duarte, um Felipe Andreoli ou um Vanderlei Luxemburgo. São todos pratos, entradas ou sobremesas que prestam homenagem às referidas pessoas. E como existe muita gente famosa por esse Brasil agora, não seria diferente no não-restaurante. O ato de decidir sobre o que se vai comer é uma experiência por si só, podendo ser boa ou não, dependendo do cliente. Não espere demorar menos que dez minutos pra se situar e escolher o prato da vez, isso se já tiver uma ideia da predileção. Se vai de mente aberta, outros bons minutos serão gastos no momento.

Um dos mais pedidos e comentados é o Gnocchi de Brie et Quatre Fromages à “Marina Ruy Barbosa” (R$ 55), ou apenas um nhoque recheado com brie e molho quatro queijos. E nesse momento vale uma pausa para comentar a fissura pelo queijo francês. Não são poucas as opções que levam brie na receita, uma vez que até nossos bolinhos de arroz da entrada levavam o ingrediente. Mas voltando ao prato principal, percebe-se a força do marketing na primeira mordida, pois o prato é bom, e só isso. O recheio de brie misturado com a massa e mais todo o molho gorduroso não tem a melhor das texturas, um pouco viscoso demais. Talvez seja preconceito por achar que nhoque não deveria ser rechado, mas o prato possivelmente seria melhor com a massa tradicional e o molho com todos os queijos. E falando nele, mesmo com quatro deles anunciados no cardápio, não foi possível distinguir o quarto integrante, além da muçarela, do requeijão e do parmesão.

Mas não dá pra esquecer de lembrar da já citada entrada. Os bolinhos de arroz, ou apenas Riz Panée au Brie à “Bruno Belutti” (R$ 26) são bastante saborosos, já que a mistura do grão empanado com o queijo combina e dá uma certa cremosidade perfeita ao quitute. Acompanhada de geleia de pimenta, é um prato que poderia ser facilmente devorados várias e várias vezes, ainda que com uma apresentação que deixa à desejar – a foto na galeria levou uns ‘retoques’ pra produção da foto.

E chegamos ao momento que todos esperam durante o jantar: a sobremesa. Como não poderia deixar de ser, escolhemos o doce mais tradicional da casa, o Grand Gateau Chocolat Eskimo de Chocolat au Lait à la Creme de Noisette à “Paloma Bernardi” (R$ 26). E acredito que mais uma vez o marketing interfira na real experiência. Ainda que com uma foto bem produzida que deixa gregos e troianos com água na boca, o excesso de açúcar por todos os lados desmorona o prazer da sobremesa. É doce demais a mistura do bolo – imperceptível no meio de tantos ingredientes – e sorvete também de chocolate. Vale a pena tirar da sua lista e experimentar uma vez, mas se for acompanhado do seu amor, saiba que é super possível dividir entre vocês. E nem vou comentar sobre o Brigadeiro Brulée à “Carol Castro” (ganhamos ele em uma promoção no perfil do Instagram, então é sempre bom ficar atento às redes sociais), uma versão semelhante ao primo mais famoso, mas com o doce brasileiro ao invés do francês. Resultado? Ainda mais enjoativo.

Entre mortos e feridos, a experiência no Paris 6 é única, sem dúvida nenhuma. A comida não é a melhor do universo, mas não deixa a desejar, e o mesmo vale para o atendimento, certas vezes até estabanado. Tenha apenas a certeza de que a casa pede uma ocasião legal com seu companheiro, ou sua companheira, pois a conta virá salgada.


Paris 6 – Rua Haddock Lobo, 1240 – Jardim Paulista; Contato: 3085-1595; Transporte: ônibus, táxi; Pagamento: débito, crédito; Faixa de preços: $$$.
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