Casa Mathilde, na Sé

Desconhecido por muita gente, o Centro de São Paulo não é só coisa ruim não. Além de guardar ótimas atrações culturais e turísticas, a região tem também boas opções gastronômicas. Afinal, foi lá que conhecemos o Tasca do Arouche e o Biyou’Z. E como a parte mais antiga do centro tem um quê muito forte de Portugal, não é difícil imaginar que por lá exista uma das melhores docerias da cidade. Meio escondida entre os prédios gigantes que a entornam, a casa oferece sobremesas que vão agradar todos os tipos de paladar. Todos, salvo aqueles que não são muito fãs de ovo. Afinal, o ingrediente é basicamente o centro de toda culinária portuguesa. Mas sem problemas. Não gosta? Tem até opção sem o dito cujo. Seja qual for sua opção, não deixe de conhecer a Casa Mathilde.

São Paulo é dividida em três tipos de estabelecimento: aqueles que você não deve passar perto, o que são gostosos e valem uma visita, e aqueles que você tem que passar, ao menos uma vida na vida. A teoria pode parecer um pouco simplista, mas acaba resolvendo muito na hora de indicar, ou não um lugar pra comer. Por isso, não teria dificuldade alguma em afirmar que a Casa Mathilde é um desses lugares que você tem, obrigatoriamente, que conhecer o quanto antes. Tudo bem, sua localização não é das melhores. Em pleno Centro velho da cidade, fica na mesma praça que o Edifício Martinelli. Sabe? Aquele gigante que vale a pena conhecer pela ótima vista.

Quem sabe não fazer as duas coisas em um passeio só. Até porque a doceria portuguesa é debruçada em história, assim como o prédio. Aberta em 1850 – lá em Portugal, é bom explicar – a doceria se instalou no país em uma época onde a região não era tão largada. Mesmo com o entorno jogado às traças, a casa de ambiente agradável oferece três andares aos visitantes, e um balcão no térreo com inúmeras receitas tipicamente portuguesas. Pastel de Belém? Sem dúvida, mas vai bem além disso. Tive a oportunidade de experimentar também a Queijada da Mathilde (R$ 6), uma versão requintada daquela queijadinha que você já conhece. Sua consistência é incrível, macia, fofa e com um aroma delicioso. Mesmo com uma combinação de ingredientes que parece enjoar, nada fica muito aparente, criando uma sintonia positiva de sabores.

Outra opção disponível é o Travesseiro de Sintra (R$ 6), uma espécie de rabanada, mas sem o sabor particular do doce natalino. Massudo demais, com certeza é um destaque fora da curva, dentro de tantas sobremesas acima da média. Feito basicamente com pão e ovo, falta um pouco de sabor nele, já que não é possível distinguir nenhum dos ingredientes. Por outro lado, e por muita sorte, também experimentei o pastel de Belém deles, aqui chamado Pastel de Nata (R$ 5,80). Pra quem gosta de ovo – como não é o caso da Na – sem dúvida é uma sobremesa obrigatória.

Ela consegue apresentar, ao mesmo tempo, a maciez do recheio e a crocância da massa folhada. O gosto de ovo, claro, fica aparente, assim como a canela, que ajuda a quebrar o excesso do ingrediente principal. Caso o costume exista com o doce vendido no Habib’s – que não é ruim, diga-se de passagem – aqui o nível de sabor é outro. Se ficou com interesse, esse é um lugar que você pode levar tanto sua mãe (olha a data aí) quanto seu – ou sua – namorado/namorada. Ao lado do metro São Bento, dá pra ir rapidinho após o almoço de fim de semana. Só se prepara pra fila, dependendo da hora.

Em um desses feriados que tivemos nas últimas semanas, eu e o Rapha resolvemos fazer um passeio pelo Centro de São Paulo. A região tem ótimos restaurantes, mas muitos deles acabam se escondendo, por ter várias outras coisas que chamam mais atenção naquele miolo.

Como já tínhamos almoçado, resolvemos ir comer um doce, e quando o Rapha me falou da Casa Mathilde, me veio na cabeça um lugar simples e com um casal de portugueses do outro lado do balcão. Talvez isso tenha acontecido há alguns anos, porque atualmente o ambiente é gigantesco, são três andares de mesa, um balcão enorme e MUITAS opções de doces. Na hora achei que o Rapha ia querer pegar todos, mas até que ele se controlou bem, rs.

Como a maioria dos doces portugueses são feitos de ovos, digamos que não são os meus preferidos, porque eu detesto ovo. Mas quando cheguei lá isso não foi um problema, além dos doces tradicionais a casa oferece muitas outras sobremesas. Acabei pedindo uma Torta de Maçã (R$ 7), valor um pouco caro para o que é servido. Só que foi a melhor torta de maçã que eu já comi, sem brincadeira. Leve e com bastante recheio, o creme por dentro tinha muito sabor e as lâminas de maçã por cima eram a combinação perfeita pra melhorar o paladar. Elas não são doces demais, nem azedas demais, apenas no ponto certo para combinar com o creme.

Realmente queria comer mais dessa torta, não foi naquele dia mas quem sabe eu não volto lá para comprar uma inteira daquela. A casa é super fácil de chegar e é roteiro de qualquer passeio turístico que é feito no centro. Então se você é de São Paulo não deixe de visitar, se você não é, se um dia você vier vai passar por perto e não perca essa oportunidade.


Casa Mathilde – Praça Antônio Prado, 76 – Sé; Contato: 11 3106-9605; Transporte: metro, ônibus, táxi; Pagamento: crédito, débito; Faixa de preços: $.
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