Jamie’s Italian, no Itaim Bibi

Deu certo. Estávamos planejando fazer uma visita ao restaurante-sensação do momento, o Jamie’s Italian, que fica no Itaim Bibi. Desde sua abertura, a nossa maior preocupação seria a interminável fila, coisa tão habitual no cenário paulistano. Conseguimos almoçar lá durante essa semana, e mesmo sem a presença do super famoso Jamie Oliver, nos divertimos com o gostoso ambiente e a deliciosa comida. Muitos lugares já fizeram a crítica do restaurante, mas ainda assim, queríamos imprimir nossas observações, e falar na real, se dá pra ir comer sem medo de ser feliz. O resumo da ópera é o tal preço acessível do lugar. Será isso mesmo?

Então, o Jamie Oliver é realmente muito querido por todos, e talvez o mais popular entre todos, não só pela comida simples, como pelos programas de televisão e seus restaurantes que todos dizem ser acessíveis para a maioria. E nada disso foi diferente quando ele falou que ia abrir uma casa em São Paulo. Eu e nos meus simples pensamentos imaginei que ele se instalaria nas redondezas da Paulista, mas não foi assim. Ele foi logo para o Itaim Bibi, e eu sinceramente nunca vi um restaurante acessível no bairro.

É obvio que queríamos muito ir ao restaurante logo porque a curiosidade é grande. Então resolvemos ir durante o almoço, já que, tecnicamente, seria mais tranquilo, afinal é a segunda semana de um restaurante que extremamente concorrido. O Rapha chegou antes e esperou meia hora na fila, quando cheguei ele já tinha sentado, o que eu achei estranho é: muitas mesas no interior do restaurante estavam vazias e a fila na porta só aumentava. Realmente confuso, não entendi o motivo. O ambiente é amplo e por isso se torna um pouco barulhento mas ao mesmo tempo agradável, por ser de vidro e envolto de um jardim.

Como entrada pedimos o Arancini Margherita (R$28), afinal a casa é italiana. Vieram três bolinhos, eram grandes, mas eram três! Eu fiquei meio decepcionada mas o sabor dele acaba compensando. Extremamente bem feito, nem parece frito de tão seco. A muçarela de bufala é na medida certa junto com a picância da pimenta dedo de moça. Eu realmente gostei muito, mas acredito que a porção poderia ser um pouco mais barata.

Pedi então como prato principal o carro chefe da casa, o Linguine com Camarão (R$ 42 o prato menor). Acabei pedindo meio prato porque no dia esta sem muita fome, apesar do prato ter demorado cerca de meia hora e quase morremos de fome, quando chegou realmente valeu. A massa é coisa de outro mundo, dá para sentir que eh feita no próprio restaurante e na hora. Nunca comi algo igual, realmente muito bom, e vale a pena ser pedido.

No geral, acredito que não é tão acessível como falam pelos quatro cantos, mas sem dúvida é um dinheiro BEM gasto. E os erros que eles ainda têm são erros de restaurante recém-inaugurado e que logo podem ser concertados e mostrar ele realmente vale muito a visita.

Todo restaurante novo que abre na cidade segue o mesmo script. Longas filas, confusão no atendimento e muitas incertezas. Foi assim no Jamie’s Italian, o novo queridinho de São Paulo, mas não de maneira que estragasse a experiência. Pegamos uma fila de vinte minutos, que em circunstâncias normais seria algo que eu não faria de maneira alguma. Mas como tínhamos a intenção de escrever sobre a casa italiana de Jamie Oliver, foi necessário ficar no sol por um tempinho. E posso dizer que valeu a pena. Não de maneira completa, mas a comida é muito boa – mesmo – com ingredientes fresco, além do atendimento super caprichoso.

Mas precisamos esclarecer uma coisa. Desde a abertura do restaurante, na semana passada, o que mais se ouviu sobre o lugar era sua acessibilidade, com preços camaradas e que não assustariam os curiosos de plantão. Só que é preciso ponderar o significado de acessível. De acordo com o dicionário Aulete, acessível é uma mercadoria, ou serviço, que tem preço baixo ou razoável. Ou seja, o que é acessível no Brasil? Um fast-food, que você paga R$ 20 e faz uma refeição completa. Se você pede um prato que custe entre R$ 40 e R$ 70, ele não é acessível, ele é o preço médio dos restaurantes de São Paulo. Acessível seria se você está acostumado a almoçar no A Bela Sintra e jantar no Figueira Rubayat. Se não é o seu caso, não é acessível.

Desabafo feito, preciso ser justo e defender: o restaurante também não é caro, ao menos nos pratos principais. Pedi um Penne Carbonara (R$ 45), e me senti plenamente satisfeito com ele. Espetacularmente gostoso, o valor não pesou no bolso pelo que foi servido.  A comida é daquelas que você fica com o semblante triste quando percebe que está chegando ao fim. Daria pra comer por horas a fio, sem problema algum. Ao invés do bacon, o prato é composto com pancetta, ingrediente original da receita, que consegue ser crocante e suculenta, sem pender para o lado do queimado e dura. Finas lascas acompanham o molho de gema de ovo em uma das mais gostosas massas que já pude comer na história do blog.

E vou dizer, o sabor da comida até obliterou a demora entre fazer o pedido e a chegada à mesa. Foram outros bons vinte minutos de observação pelo salão, percebendo que a confusão habitual de restaurante novo afetava as mesas ao lado também. Bem ao nosso lado, foi digno de pena a espera pela sobremesa. Tudo bem, os atendentes não têm muita culpa no caso, afinal, nem dez dias a casa fez. Entretanto, o porte do estabelecimento pedia um pouco menos de dúvida e um pouco mais de agilidade. Se isso acontece com a pastelaria perto do trabalho, você até entende. Entretanto, se acontece com um restaurante internacional com outras tantas e tantas unidades espalhadas pelo mundo, não é tipo de coisa que deveria acontecer com frequência. Ainda mais quando ele se dá ao luxo de ‘cobrar’ 12% de taxa de serviço, ao invés dos tradicionais 10%.

Ah, pra não esquecer. Lembra a questão do preço? Meu prato principal foi ótimo com um valor justo. Todavia, não foi o que ocorreu com a nossa entrada. Pedimos uma porção de Arancini Margherita (R$ 28), que por natureza já é bom. Tive a oportunidade de comer o bolinho na Itália, e até hoje tenho saudade. Então, quando bati os olhos nessa opção, não tive mais dúvida. Mero engano meu. Primeiro ponto: são três bolinhos, sendo um partido ao meio pra dar aquela cara de prato maior, basta ver na foto. Entendo que os ingredientes escolhidos são especiais e tudo mais, mas pelo amor, três arancinis? Ao menos subam um pouco o valor e me tragam quatro, no mínimo. Mandar para mesa algo tão irrisório é pra deixar qualquer cliente com o cabelo em pé. Não sei se é assim fora do Brasil, mas caso seja, continua errado internacionalmente. E segundo ponto: não é tudo isso. O risoto tem um gosto ok, é agradável, mas nada demais. A pimenta dedo de moça é forte, como imaginado, e acaba se ressaltando na porção. E para cobrar o valor que foi cobrado, preferia não ter pedido.

Entre secos e molhados, o Jamie’s Italian é mais um daqueles restaurantes caros, mas nem tanto em São Paulo. Daquele tipo que você pode visitar uma vez ou outra, vai comer bem, vai ser bem atendido e não vai se arrepender. Mas vai custar um pouco. E diferente das tradicionais tratorias que estamos acostumados, não espere por pratos fartos. Bons, claro, mas não fartos.


Jamie’s Italian – Avenida Horácio Lafer, 61 – Itaim Bibi; Contato: 11 2365-1309; Transporte: ônibus, táxi; Pagamento: crédito, débito, vr; Faixa de preços: $$.

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2 comentários sobre “Jamie’s Italian, no Itaim Bibi

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