Vai um Big Mick aí?

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Dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola e picles. Você ouviu isso. Você já leu isso. Mas não se engane, não estamos falando do McDonald’s. E esse não é o super famoso Big Mac. Na verdade, a descrição quase igual faz parte do Big Mick, sanduíche da cadeia de fast-food McDowell’s. Já ouviu falar? Se você está na casa dos 30, possivelmente, caso contrário, pode parecer uma piada com a casa dos arcos dourados. E meio que é. A rede, fictícia, faz um papel importante em Um príncipe em Nova York, filme lançado na época de 1980, com Eddie Murphy e um quase desconhecido Samuel L. Jackson.

Primeiro por tudo que se desenha na história e tem a lanchonete como cenário. Um resumo rápido pra quem nunca viu (e deveria ir ver o quanto antes): Eddie Murphy é um príncipe de um país da África, que vai pra Big Apple curtir a vida antes de se casar. Só que na cidade ele acaba gostando da filha do dono de um restaurante. Qual restaurante, você se pergunta? McDowell’s.

O nome, o logo, as cores e o lanches, todos são basicamente iguais aos de sua versão original. E essa relação próxima é motivo de piada no próprio roteiro, onde o McDonald’s (no filme) investiga a lanchonete do Queens por copiar suas características. Tanto que o personagem de John Amos, que faz o dono do local, dá diversas explicações comparando as duas redes. “A grande diferença entre o Big Mac e o Big Mick”, explica o personagem durante o filme, “está no pão com gergelim deles, enquanto o nosso não tem”. E a piada é tão escancarada que em um momento o mesmo personagem é visto lendo o manual de operações do concorrente.

McDowell's e Wendys
McDowell’s e Wendy’s

Entretanto, mesmo com todas as piadas, podemos considerar a lanchonete ficcional um tanto inovadora, quando ela anteviu, lá atrás, o uso do verde ao invés do vermelho junto dos arcos com a letra M. Hoje o próprio McDonald’s já tem em alguns restaurantes o tom adotado, como maneira de tentar vender uma imagem mais saudável de sua comida. Enquanto isso, para desespero dos fãs, o McDowell’s fechou de vez. Para gravação do filme foi usada uma unidade real do Wendy’s, no Queens, que encerrou as atividades no meio de 2013. Motivo? Setor imobiliário.

E de fechar as portas outras franquias da ficção também entendem. Ou vai dizer que esqueceu do que aconteceu com a rede de 14 restaurantes fundada por Gustavo Fring? Na última temporada da boa Breaking Bad, vemos a bancarrota do Los Pollos Hermanos, a versão mexicana do KFC. Especializada em frangos – e no caso, drogas, mas isso não vem ao caso – a rede se espalha por parte dos estados localizados no Sul dos Estados Unidos. Em um dos episódios podemos ver que além de Albuquerque (a principal franquia), existem outros pontos no Texas, Nevada, Arizona, Colorado e Utah.

A fama, e o desejo pelos pedaços de frango da LPH é tanta, que mesmo depois da série ter encontrado seu final, até hoje encontramos por aí pessoas usando adereços com alusão ao restaurante, ou até mesmo gente explicando como fazer suas receitas. O que importa mesmo é saber que a série utilizou outro restaurante como fachada para a gravação dos episódios. Em Alburquere, no Novo México, fica a Twisters, especializa apenas em hambúrgueres e burritos. Nada de frango por lá, para desalegria geral da nação.

Los Pollos Hermanos e Twisters
Los Pollos Hermanos e Twisters

Mas falando de hambúrguer, não podemos esquecer de mencionar uma das mais famosas e cultuadas franquias não-existentes-no-mundo-real: a Big Kahuna Burger. E o título de uma das mais famosas não é em vão? Enquanto o McDowell’s e o Los Pollos Hermanos são criações de apenas um filme, ou seriado, a Big Kahuna Burger circula pela mente de Quentin Tarantino e seus filmes. E filmes de seus amigos também. Sua primeira aparição acontece em 1992, no filme Cães de Aluguel, e depois não parou mais: em 1994 foi a vez de Pulp Fiction, em 1995 em Grande Hotel e em 2007 no longa À Prova de Morte. Como se não bastasse, a franquia acabou dando as caras também em Um Drinque no Inferno, de Robert Rodriguez, em 1996; Romy e Michele, de David Mirkin, em 1997; e Sharkboy e Lavagirl, também de Rodriguez, em 2005.

Ou seja, além de uma piada recorrente, deveríamos nos preocupar se não existem um fundo de verdade, e alguém está realmente pretendendo tirar do papel – ou da tela – o projeto. Com um séquito interminável de fãs mundo afora, não seria difícil fazer dar certo, não acha? E embora não exista uma versão oficial, é possível matar um pouco dessa vontade com aquela lanchonete de mesmo nome aqui em São Paulo. Até fomos para o blog recentemente, e se parace ou não com os lanches do cinema, aparentemente, nunca vamos saber.


Fast&Food é uma coluna escrita por Raphael Diegues, editor do Comida pra Casal, que aborda novidades e dúvidas dos consumidores a respeito das redes de comida rápida espalhadas pela cidade.

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