Ruim por quê?

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É do imaginário popular a falta de qualidade dos produtos, e por sua vez, de toda rede de franquias do Habib’s. Mas olhando bem, a gente para e pergunta: ruim por quê? Dá pra compreender que a condição higiênica dos salões não é a melhor possível. Não é difícil encontrar um chão engordurado, mesas e paredes com aspecto de sujo, práticas questionáveis da casa – como servir suas bebidas em copo de vidro – ou, principalmente, a completa falta de aptidão, ou boa vontade mesmo, de seus atendentes. De todas as vezes que já passei por um Habib’s, poderia contar nos dedos oportunidades onde fui recebido de maneira cortês e adequada para um restaurante.

Tudo bem, a cadeia trabalha com valores baixos, e por consequência, atende um público de renda menor. Mas ainda assim, a qualidade do atendimento, ou da higiene das áreas públicas, não deveria estar atrelado ao faturamento de cada um. Funcionários educados e capazes são requisitos mínimos e básicos de qualquer instituição, seja na alimentação, varejo ou serviços.

Entretanto, tirando esses pontos, quais outros argumentos verdadeiros contribuem para a ideia de que a rede – que por acaso, é a maior franquia de comida árabe do mundo – não trabalha com qualidade. A predileção é puramente subjetiva, isto é, você pode até não achar que a esfiha de carne deles não é a melhor coisa muito – porque realmente não é – mas daí achar que ela não tem qualidade, e que tem sua procedência duvidosa é um caminho muito distante e preconceituoso. A justificativa mais utilizada para apontar a baixa qualidade seria o baixo preço cobrado por seus produtos. Qual a chance, em épocas de inflação e crise econômica, comercializar uma esfiha por menos de R$ 1, você se pergunta.

Se uma esfiha, por exemplo, leva dez ingredientes em sua linha de montagem, fica realmente difícil imaginar como é possível investir tanto e cobrar tão pouco, sem pecar na qualidade dos insumos. Todavia, diferente de muitas franquias em operação hoje em dia, o Habib’s possui um modelo de negócio bem interessante. Vários itens usados na cozinha são produzidos pela própria empresa, tornando o processo menos oneroso, conseguindo diminuir o custo na produção e trabalhar com valores menores para o consumidor. Além do restaurante, fazem parte do grupo uma fábrica de laticínios, uma de pão e outras duas de sorvetes.

E por qual motivo estaria usando a coluna pra falar tão bem assim do Habib’s? Publicidade? Post pago? Esfihas gratuitas? Nenhuma dessas. Pura e simples intenção de levar o real cenário da mais tradicional franquia de fast-food brasileira (desculpa, Bob’s). O atendimento deixa a desejar? Não tenha dúvida que sim. Mas por outro lado, as áreas privadas – cozinhas, estocagem e derivados – da rede são consideradas uma das mais limpas entre restaurantes e lanchonetes. E a afirmação não é minha, mas de profissionais da Vigilância Sanitária. Então se você não gosta da comida deles, sem problemas. Também não é a minha preferida. Só não precisa ajudar a fortalecer o mito de que suas esfihas de carne são feitas de papelão.


Fast&Food é uma coluna quinzenal, escrita por Raphael Diegues, editor do Comida pra Casal, que aborda novidades e dúvidas dos consumidores a respeito das redes de comida rápida espalhadas pela cidade.

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